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nestas quadras que vais ler
em que ponho o mundo a nu
escusado será dizer
que o vestido és sempre tu
uma quadra popular
para ser bem digerida
tem que o leitor a tomar
com conta peso e medida
lança-se à quadra o poeta
sem preconceito de imagem
quando monta a bicicleta
todo o passeio é paisagem
contraditório que pareça
uma quadra popular
deve ser escrita depressa
lida com todo o vagar
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a pedra que me atiraste
fez efeito boomerang
foi a mim que a apontaste
foi a ti que ela fez sangue
se receber é ganhar
dar não é menor deleite
há muito quem queira dar
sem encontrar quem aceite
na vida já pouco conta
as contas que a gente tem
como é que alguém se amedronta
com as contas do Além?
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